O que aprender com o erro de Bel Pesce

Acredito que você já tenha ouvido falar da Bel Pesce. Se não a conhecia até semana passada com certeza agora passou a conhecer, desde que seu nome começou a constar nos burburinhos do momento sobre o crowdfunding da hamburgueria, seu projeto em parceria com Leo, vencedor do Masterchef.

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Caso a tenha conhecido agora, é uma pena. É provável que sua primeira impressão tenha sido influenciada por esse episódio. A Bel Pesce que eu conheci é uma pessoa da minha idade, com grandes feitos desde nova, como estudar no MIT e trabalhar em grandes empresas do Vale do Silício. Escreveu livros, possui uma editora, escola de empreendedorismo e outros projetos. Compartilha muito conteúdo pela internet, muitos dos quais eu acompanho e aprendo bastante. Até na minha decisão de começar a correr o @omeuprojetosaudavel, página que ela compartilhava sua própria evolução, influenciou. O site da Bel Pesce enche os olhos de pessoas multipotenciais como eu.

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Este ano, resolveu abrir uma hamburgueria. Até aí tudo bem, normal empreendedores investirem em ramos diversos. A parceria seria com Leonardo Young, empresário e participante do Masterchef (até então somente participante, na semana que lançaram o projeto, era vencedor). Como fez com outros projetos seus anteriores, abriu um crowdfunding para arrecadar recursos em um esquema de pré-venda. Recebeu, porém, uma enxurrada de críticas tais como a de que seriam “ricos tirando dinheiro dos pobres” (detalhe: ninguém é obrigado). Críticos também a referiam como “empreendedora de palco”, “farsa”, e outras coisas mais.

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Pra quem não sabe o que é crowdfunding, “De forma mais simplista, nada mais é do que utilizar sua rede social digital para, através da divulgação também digital do seu projeto, pedir doações em troca de prêmios para pessoas que gostariam que o objetivo fosse alcançado. Um grande valor rateado por milhares torna-se muito pouco para quem contribui, muito para quem recebe. Esse é o principio básico do crowdfunding“, segundo Vinicius Maximiliano Carneiro, em Dinheiro da Multidão: burocracia x oportunidades no crowdfunding nacional. Ou seja, não é necessariamente vaquinha para quem não tem dinheiro, e também não necessariamente está atrelado a projetos sociais.

A própria Bel já havia lançado mão dessa forma de financiamento para fazer uma turnê de lançamento de seu livro, quando ele ainda não era publicado pela sua própria editora, e a então editora só priorizava o lançamento no eixo Rio-São Paulo. Para que pudesse chegar em todos os estados, as pessoas contribuíram com quantias que davam direito a assistir palestra e ao livro autografado.

Ao lançar o financiamento da hambugueria porém, foram atacados por alguns motivos. Alguns erros foram explicitados pela própria Bel Pesce: a proposta não estava muito clara, foi um momento inapropriado, tanto pela situação política que o Brasil está passando quanto por ter parecido oportunismo o lançamento na semana que Leo ganhou o masterchef, e principalmente porque o projeto saiu de sua rede (não foi divulgado para “pessoas que gostariam que o objetivo fosse alcançado”). E uma vez que deixou de ser divulgado apenas às pessoas que já acompanhavam seu trabalho e acreditavam nele, inclusive que já sabiam desse projeto desde mais tempo, abriu margem para as críticas tomarem a proporção que tomou.

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Mas independente de julgar erros ou não, algumas coisas me chamaram atenção nessa história toda e quero muito compartilhar com vocês e saber também suas opiniões:

1. Ao acompanhar tantos projetos da Bel, a impressão é que ela é uma pessoa fora do normal. Eu queria muito ter a energia que ela tem, pra conseguir realizar tantas coisas quanto ela realiza. O vacilo, porém, trouxe o lado humano da pessoa Bel (afinal errar é humano) e da empreendedora Bel (se engana quem pensa que a vida de um empreendedor é uma linha reta). Como ela mesma disse, “o dia a dia do empreendedor é uma provação diária” e “o que importa é o que você faz agora e não o que você fez”.

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2. Errar é humano, não tentar que é falho. Se você não tenta, não erra nem acerta. A maioria das pessoas que criticaram, com certeza tem sonhos engavetados por falta de ação. Outro aprendizado é perceber que apesar dos riscos, ela deu a sua cara a tapa, errou e ainda se desculpou publicamente. Os grandes empreendedores passam mais tempo testando e corrigindo que fazendo planos de negócio. Isso é orientação para a ação.

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3. Algumas críticas diziam que eles já possuem muito dinheiro para abrir um negócio, mas é importante separar a pessoa do negócio. Não é porque outros negócios dela são lucrativos que ela precisa pagar esse novo projeto com os anteriores. A proposta era oferecer valor (ainda que o valor que estava sendo oferecido fosse discutível. Mas novamente, ninguém é obrigado) pelo financiamento coletivo como alternativa a um financiamento bancário por exemplo. Novamente, não é porque a pessoa possui recursos próprios que precisa abrir um negócio com recursos próprios, se o dinheiro de terceiros for lícito, obviamente.

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4. Outras críticas diziam que o projeto não é nada de mais, “apenas” uma hamburgueria. É possível inovar em um segmento que parece extremamente tradicional? Claro que sim! Não sei exatamente qual é a proposta e se iria ser inovadora de fato, mas Uber, Nubank e Airbnb estão aí para comprovar isso.

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5. “No Brasil, sucesso é ofensa pessoal” Tom Jobim. Infelizmente, acredito que em relação às críticas mais fervorosas existe um pouco de invejinha também. As pessoas tem uma necessidade tão grande de apontar o dedo, julgar, duvidar da integridade e “desmascarar”, que já devia existir muita gente de plantão só esperando o tropeço pra jogar lama em cima. Fica a dica, serve pra tudo e eu mesma vou me vigiar mais quanto a críticas por implicância pura também.

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6. Por fim, uma observação feita por outra empreendedora que admiro muito, Rafa Cappai: criticá-la por não ser uma empreendedora “de verdade” é um tiro no pé do empreendedorismo. “A gente pode discutir se é bom ou ruim, se traz aprofundamento ou não, se forma ou não… mas se é de verdade, isso não. Ninguém tem o monopólio do empreendedorismo. Foi-se o tempo que empreender era uma coisa só.” A dúvida quanto à “veracidade de seu empreendedorismo” se deve aos seus negócios até então serem de serviços, intangíveis, mas essa é a nova economia, não tem nada de errado nisso.

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Com certeza a Bel Pesce aprendeu muito com esse episódio, e isso é ser empreendedor! Eu também tirei algumas lições disso tudo, o melhor é aprender com o erro dos outros, não é mesmo?

E você? Já olhou toda essa situação com a cabeça mais aberta? Já formou sua opinião, mas também se permitiu ampliar suas referências e ser mais flexível?

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About the Author: Barbara Penido

Belorizontina, aquariana, administradora, coach, maquiadora, cantora, ex-bancária, e agora também blogueira.
Queimou as pontes para se dedicar exclusivamente às suas paixões. Acredita que todo mundo é capaz de construir uma vida com mais propósito, felicidade e leveza.

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